ArtigosCurrículo para advogado.

Buscando uma oportunidade no mercado? Enviou dezenas de currículos e não é convidado para entrevistas? Será falta de sorte? Maré ruim? Recessão e crise? Ou será que talvez o seu currículo não esteja te representando como deveria ser? Então pense comigo, seu currículo de fato te representa?

Olá! Eu sou Erika Lotz mentora de Capital Humano da EOS INOVAÇÃO na Advocacia e hoje quero me dirigir a você, advogado recém formado ou então profissional que busca nova oportunidade de colocação no mercado de trabalho.

A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB registra que atualmente há cerca de 1,1 milhão de advogados no Brasil. São 1.210 cursos de Direito no país, com um número aproximado 900 mil estudantes, o que possibilita a colocação de novos profissionais no mercado de trabalho em larga escala.
Uma parcela desses novos profissionais jamais chegará a advogar; outra optará por empreender; e outra buscará uma oportunidade do mercado de trabalho junto a escritórios consolidados onde possa construir carreira. Mas, como se diferenciar de toda uma legião de outros advogados em um processo seletivo? Será que é possível perder uma boa oportunidade de trabalho por conta de um pequeno detalhe: a estruturação do seu currículo? Instigante não?

Um olhar sobre o processo seletivo

A seleção de pessoal é um processo de comparação que envolve, de um lado, os requisitos do cargo e, de outro, o que o candidato tem a oferecer, por meio de seus conhecimentos, suas habilidades e seus comportamentos.
Tendo em vista o imperativo da compatibilidade entre o perfil do candidato e os requisitos do cargo, podemos nos deparar com três situações:

O perfil do candidato está aquém das exigências do cargo – o candidato não apresenta as condições compatíveis às exigências da vaga, o que o coloca fora do processo seletivo.

O perfil do candidato é mais elevado do que exige o cargo – o candidato é muito qualificado para desempenhar determinado cargo. Nesse caso, o candidato também é eliminado do processo seletivo.

O perfil do candidato é compatível com as exigências do cargo – o que o candidato tem a oferecer equivale aos conhecimentos e às habilidades requeridos para o desempenho do cargo. Nesse caso, o candidato está apto a prosseguir no processo seletivo.

A pessoa certa no lugar certo

A entrega do processo seletivo é colocar a pessoa certa no lugar certo. E para realizar esse “casamento” o candidato certamente será avaliado tendo em vista as habilidades técnicas e comportamentais.

◆ As habilidades técnicas correspondem ao domínio de uma determinada atividade, isto é, envolvem o conhecimento especializado. Tais habilidades consistem na utilização de conhecimentos, métodos, técnicas e equipamentos necessários para a realização de tarefas específicas, por meio de instrução, experiência e educação. O currículo tem a missão de registrar as habilidades técnicas do profissional.

◆ As habilidades comportamentais, correspondem com a capacidade de lidar consigo mesmo e com os outros e são decisivas para os resultados do colaborador no trabalho e absolutamente relevantes no mundo corporativo.

Peter Drucker (1909-2005), pensador, escritor e professor, considerado o pai da administração moderna, costumava dizer que “as pessoas são contratadas pelas suas habilidades técnicas, mas são demitidas pelos seus comportamentos”.

O mercado jurídico tem requerido cada vez mais elevadas habilidades técnicas e consolidadas habilidades comportamentais, dado que é fundamental que para trabalhar na área o profissional consiga manter suas entregas apesar de todas as pressões, cumpra prazos, tenha organização, disciplina, equilíbrio emocional e boa dose de inteligência social pois a fidelização de clientes e a leveza no ambiente de trabalho se obtém com respeito, elegância, interesse e gentileza.

Envio currículos e não sou chamado para entrevistas

Você sabia que enviar currículos e não ser chamado para entrevistas pode não ter relação com maré difícil ou com recessão econômica, mas sim com uma coisa mais simples? O seu currículo não está chamando a atenção do selecionador!

Como mentora de Capital Humano tenho a oportunidade de acompanhar diversos processos seletivos em escritórios de renome. A vaga é divulgada no site da OAB; linkedin e em várias redes sociais. Dezenas de currículos chegam às mãos dos selecionadores – RH do escritório contratante ou empresas especializadas. Mas o que de fato acontece é que a maior parte dos currículos é descartada logo na primeira triagem.

Ai eu me pergunto, será que tais candidatos cujos currículos não chamam a atenção do selecionador – não tem os skills necessários para a vaga ou estão deixando ir embora a primeira grande oportunidade de se fazer representar?

E por mais que vivamos às voltas com alta tecnologia, inteligência artificial, processos seletivos alicerçados em softwares de gestão de pessoas, o bom e velho currículo em papel ainda continua operante e pode ser a ponte que você tanto deseja para conectá-lo com a oportunidade de atuação tão almejada.

E se você se encontra exatamente nesta situação de buscar uma colocação no mercado jurídico, quero te fazer uma pergunta: o seu currículo o representa? Ele está elaborado a ponto de despertar o interesse do recrutador? Tem foco e objetividade? As informações estão distribuídas de modo a informar a sua trajetória e desenvolvimento profissional?

A função do currículo

O currículo é o primeiro contato do selecionador com o candidato. Tem a função de chamar a atenção do selecionador, que muitas vezes tem pouquíssimo tempo para fazer a triagem. E sendo assim, dificilmente irá se deter para “caçar” as informações. Ele costuma ir adiante sem se deter na análise de um currículo que não tenha foco e as informações dispostas de forma clara e ordenada.

O propósito do currículo é apresentar o objetivo e as qualificações do candidato, de modo que o selecionador encontre consonância entre os requisitos exigidos pela função e o perfil do candidato.

O conteúdo e a forma

Quando o selecionador analisa um currículo, dois aspectos são considerados: o conteúdo e a forma. O conteúdo expressa as informações sobre o candidato: nome, endereço, e-mail, objetivo, formação acadêmica, experiência profissional, formação complementar, entre outras. A estética, a ordem, a limpeza, o tipo de papel escolhido, o cuidado com a grafia das palavras e a formatação expressam a forma. E acredite, o modo como se expressa naquele pedaço de papel informa muito sobre você.

A estruturação

Para apresentar o candidato e despertar o interesse do selecionador para uma entrevista, é fundamental que contenha as seguintes informações:
Nome completo do candidato – Indicado no alto da página em negrito ou em destaque.

Dados pessoais – Endereço completo com CEP, telefone com DDD e e-mail.

Objetivo – Cargo ou área desejada.

Formação – Formação escolar, a começar pela atual ou a mais recente, informando o nome do curso, nome completo da instituição, ano de conclusão (completo ou previsto), cidade e estado. A ideia de iniciar pelo ano de conclusão oferece uma linha do tempo interessante sobre o investimento do candidato na carreira. Observe que não é necessário inserir o Ensino Médio se você já está cursando uma especialização.

Experiência profissional – Seção que deve incluir as três últimas experiências, informando a empresa, a cidade e o estado, o cargo ocupado e as funções desempenhadas em, no máximo, quatro linhas para cada experiência. Este campo é importante, pois, ao analisar suas atribuições o selecionador pode desenhar uma ideia das competências técnicas e comportamentais que um profissional precisa ter para realizar tais entregas.

Informações complementares – Apresenta informação sobre cursos de idiomas e outros cursos com adesão à área desejada. Devem ser incluídos o nome completo do curso, a instituição, o ano e a carga horária. Também neste campo podem ser indicadas as participações em palestras, eventos, intercâmbios, trabalhos voluntários, entre outros.

Dicas finais

Existem diversos tipos de currículos que servem a diferentes áreas. O importante é que o candidato preste atenção à demanda de cada área de atuação para apresentar as informações que são, de fato, relevantes.

Talvez você esteja se perguntando: mas em qual campo eu insiro informações de que sou comunicativo, bom negociador, equilibrado emocionalmente, entre outros?

Não insere! Currículo é lugar para registrar os requisitos técnicos, conhecimentos e habilidades para o exercício do cargo. As competências comportamentais, que são aquelas voltadas a inteligência intrapessoal e interpessoal não podem ser avaliadas no currículo.

Para conhecer os soft skills dos candidatos existem as outras etapas do processo seletivo, a exemplo da entrevista, do mapeamento de perfil entre outros, aliás tema para outro artigo!

Muito bem! Agora você que está municiado de um conjunto de informações técnicas talvez seja a hora de lançar um olhar carinhoso para o seu currículo e se encontrar oportunidades de melhorias, implemente-as! Pois, ele pode ser a ponte de ouro entre você a sua tão sonhada oportunidade!

Espero ter contribuído com você!

 

Autor

Erika Gisele Lotz: mentora de capital humano da Éos Inovação na Advocacia, trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy, professora de cursos de graduação e pós-graduação e autora de diversas obras na área de desenvolvimento de pessoas nas organizações.

Graduada em Administração pela Universidade Estadual de Maringá (1994), especialista em Fundamentos Estéticos para Arte-Educação pela Faculdade de Artes do Paraná (1998) e mestre em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí (2002) e pós-graduanda em Análise Neuroescritual pela Universidade do Atlântico (2017), Espanha.

Possui formação em Coaching pela Coaching Foundation Skills in Coaching (2009) e Sociedade Brasileira de Coaching (2013); e Master Practitioner em Programação Neurolinguistica (2009).

Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy (2018). Atua como coach, ministra programas de desenvolvimento pessoal e interpessoal em organizações em todo o Brasil.

É docente em programas de graduação e MBAs nas áreas de Gestão de Pessoas e Coaching. Autora das seguintes obras: Gestão da qualidade de vida no trabalho (2017); Recrutamento e seleção de talentos (2015); Coaching e mentoring (2014); Aprendizagem organizacional (2013); Gestão de talentos (2012) e Administração Estratégica e Planejamento (2004).

Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv. do?id=K4757523P6

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