11 de março de 2019

Feliz Ano Novo?

Seria este um texto antigo que perdeu o timing de publicação, ou uma provocação viva e atual, cuja gênese remete à oportuna reflexão sobre quanto próximo estamos agora – no mês de março – a respeito de objetivos e metas que havíamos estabelecido para a vida pessoal, carreira, equipe de trabalho e gestão do escritório?

O quanto próximo estamos em março dos objetivos e metas, estabelecidos no inicio do ano?

Como está o folego e disciplina para empreender as ações que aproximam dos resultados desejados?

O que estou fazendo como gestor de equipe em prol do desenvolvimento das pessoas e da produtividade do time?

A questão é que as perguntas acima oferecem o convite para olhar o quanto vivo está o foco, a energia e, sobretudo, a firmeza de propósito para empreender mudanças necessárias ou desejadas em prol da vida pessoal, carreira, desenvolvimento do time ou produtividade do escritório?

Firmeza de propósito

A experiência tem demostrado que, não raras vezes acabamos engolidos pelo implacável cotidiano, que nos lança as chamas devoradoras das tarefas e atividades que não podem ser proteladas sob pena de grandes dessabores.

E com isso a todo vigor, força, energia, disciplina e foco para empreender ações e mudanças desejadas vão ficando pálidas e enfraquecidas e distantes.

E nós vamos tocando a vida na velocidade do trem bala da vida, respondendo prontamente às exigências dos diferentes papéis e deixando nas paradas das estações o que poderia fortalecer nossa autoestima e realização, como ser humano e como profissional.

É oportuno mencionar que, objetivos e metas que permitimos deixar enfraquecer, quando nutridos se tornam fonte de estados positivos poderosos núcleos doadores de força, que impulsionam o florescimento da realização pessoal e profissional. Isso sem contar os benefícios que podem trazer á carreira, á produtividade do time, à imagem e sustentabilidade do negócio.

No Brasil costuma-se dizer que o ano começa depois do carnaval! Então vamos lá! Longe de oferecer passo a passo de autoajuda que atente contra a sua inteligência, quero apenas compartilhar o que tenho vivenciado como mentora de Capital Humano que pode tanto aproximar quanto afastar as pessoas dos objetivos e das realizações que, convenhamos, constituem parte importante da qualidade de vida e para a realização não apenas como profissional digno de nota mas como ser humano que detém em suas mãos as ferramentas para a realização.

Comportamentos que aproximam (ou nos afastam) da realização das metas e objetivos.

  1. Conspirar a favor do universo e colocar a roda para girar

Acreditar na sabedoria do fluxo da vida é uma das grandes forças impulsionadoras que nos move na existência. É o que gera estados internos fortalecedores para enfrentar os diversos desafios da vida. Mas se tem algo que definitivamente me impacienta é a crença de que  sem fazer absolutamente as coisas acontecerão magicamente, por que o universo irá conspirar a favor, como se o universo não tivesse nada mais a fazer do que atender todos os desejos da criatura ! Tenha a santa paciência!

A questão toda é você conspira a favor do universo para que o universo possa ter mecanismos de conspirar a seu favor? Me recordo da belíssima passagem da obra Comer, rezar e amar:

“Tem uma antiga e maravilhosa piada italiana sobre um homem pobre que ia a igreja todos os dias e rezava diante da estátua de um grande Santo implorando: 
– Querido Santo, por favor, por favor, por favor, deixa eu ganhar na loteria. Finalmente a estátua irritada criou vida, olhou para baixo e disse ao pedinte:
– Meu filho ,por favor, por favor, por favor, compre um bilhete”. 

Comer, rezar, amar.
Gilbert, E..

A armadilha de imaginar que as coisas virão a nós magicamente pelo simples fato de acreditarmos só faz prosperar a terceirização da responsabilidade. Os outros, o governo, o tempo- ou a falta dele- a sorte, respondem pela responsabilidade de transformar sonhos em objetivos e estes em resultados. E quando nada acontece?

Alternativas:

a) nos entregarmos ao coitadismo e a vitimização, verdadeiras masmorras psíquicas que nós mesmos instituímos e alimentamos; ou

b) abraçamos o olhar apreciativo que nos leva a investigar a nossa conduta face aos resultados e nos instiga, gerando movimento, revisão de estratégias, levantamento de aprendizados e, sobretudo, amorosidade para conosco e nossos resultados e empatia para com os outros.

Ou seja, é inteligente criar o movimento necessário para que o universo possa conspirar a nosso favor. A ideia é colocar a roda para girar!

  1. Xô! Reclamação!

Já observou que as pessoas que reclamam de fato que não querem resolver o problema? Parecem até gostar da companhia do infortúnio! Reclamar significa clamar novamente! Já imaginou? Parece piegas, mas é fundamental olhar para o problema para compreender quais fatores convergiram para forma-lo e a partir de então identificar, gerar e aplicar estratégias que atuem minimizando ou eliminando as causas.

  1. Ter clareza de objetivos e propósito

Objetivo é uma declaração de resultado. O que diferencia um objetivo de um sonho é que o objetivo tem clareza, sabemos exatamente o ponto que desejamos chegar.

É importante lembrar que o objetivo é formulado em termos positivos (aquilo que você deseja ao invés daquilo que deseja evitar); é específico; realizável; pede estratégia; propósito e evidencias de realização.

Uma dica é passar seu objetivo pela peneira dos 5 Ws e 2 Hs ( “o que”?”; “como”?”; “quando; “ quem ou com quem?”;” onde?”; “ quanto?”) , conhece? São perguntinhas muito simples e ao mesmo tempo poderosas:

  • O que eu quero especificamente: Estimula a mente a criar o cenário desejado, se lembra de Sêneca (04 A.C.-65) ensinou “não há vento favorável para a embarcação que não sabe para onde vai”. Esta pergunta promove a clareza a respeito do nosso objetivo.
  • Porque, ou para que eu que quero isso: Estimula a mente a levantar o motivo daquela ação. Tem haver com a motivação, que é o motivo que leva a ação. O propósito leva a ativar a força interna que nos permite ir rumo ao nosso objetivo, isso favorece o foco nas escolhas e a força para continuar a caminhada apesar dos percalços que eventualmente possam aparecer pelo caminho.
  • Como: leva a definir estratégias, ou seja, os caminhos a serem percorridos e as ações requeridas, passo a passo. Qual o primeiro passo? E qual o próximo? E qual o próximo passo? Como afirmam os chineses, uma caminhada de mil milhas começa sempre com o primeiro passo.
  • Quando: leva a definir prazos e realizar acompanhamento, monitoração e controle das ações. Coloque-se em movimento, pois é ação, e não a intenção que muda os resultados.
  • Quanto de investimento é importante provisionar para que eu me mantenha firme na caminhada: è fundamental o olhar para o provisionamento dos recursos necessários e as estratégias para obtê-los. É a ação proativa que permite identificar o investimento e recursos necessários para a manutenção da caminhada rumo ao objetivo. A pergunta remete a recursos financeiros, de tempo, recursos materiais, entre outros.
  • Qual a evidência de que atingi o objetivo/ meta? : Promove a clareza de que você de fato alcançou aquele resultado. E se lembre de comemorar sempre, cada passo rumo ao seu objetivo.

Lembre-se de comemorar! A comemoração é importante para ativar as estruturas de recompensa do cérebro o que faz fortalecer a confiança para empreendimentos e passos futuros.

  1. Cultivar o olhar apreciativo

Como você olha para eventuais insucessos? Embora alguns deles nos “esfolem”, deixem marcas profundas e cicatrizes, ou tragam indigestas lições, quando acolhidos, são inteligentes professores e importantes para o fortalecimento de recursos emocionais e desenvolvimento de competências comportamentais.

Com Robbins (2007) aprendi uma das coisas mais libertadoras da vida: “ não existem fracassos, existem resultados”. Ou seja, ao olharmos os nossos resultados a luz do esvaziamento do julgamento de valor e de todo  o peso que a palavra fracasso traz e passamos a abraçar o olhar apreciativo de: o que eu aprendo? O que escolho fazer de diferente da próxima vez? Por que isso é importante para elevar o nosso nível de performance, seja na vida pessoal ou na vida profissional? É simples! Segundo Herculnano- Houzel (2009) o “erro nada mais é do que do que um informe ao cérebro de que algo precisa ser feito de diferente da próxima vez!

Pensar diferente produz energia diferente e  “um estado de espírito positivo nos induz a um modo de pensar completamente diferente de um estado de espírito negativo” explica Seligman (2009, p. 70).  Os estados positivos promovem pensamentos criativos, tolerantes, generosos, desarmados. O foco sai da busca da falha e da omissão para a busca do acerto, fortalecendo assim a confiança.

Cada adversidade ultrapassada é poderosa para a avaliação do desenvolvimento e fortalecimento individual da equipe e do escritório como um todo. Note que cada adversidade mobilizou o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais (individuais e do time) para dar conta da resposta.

  1. Bem vinda Realidade

Deixa ir embora a dor de “o que poderia ter sido” e acolher com amorosidade  “aquilo que é”,  promove a aceitação do momento presente com tudo o que ele traz.

Aceitação é muito diferente de resignação. Na resignação temos a ausência de movimento para a mudança. Somente reconhecendo “aquilo que é”, é que podemos traçar a estratégias para aquilo que queremos.

Imagine o GPS, para traçar a rota o que ele faz primeiro? Identifica o ponto onde se está. Note que não se trata de resignação. Na resignação existe paralisia e conformismo. Na aceitação existe o reconhecimento de aquilo está ali – o Estado Atual (Ponto A). A negação daquilo que é promove apenas perda de energia e inação. Admitir a existência dos desafios e restrições de contexto permite traçar estratégias e gerar movimentos rumo aos resultados desejados Estado Desejado (Ponto B).

  1. Gerir a energia e não somente a distribuição das atividades no tempo

Muitos seminários se dedicam a ensinar gestores a gerir o tempo e aplicar ferramentas de gestão do tempo a exemplo do Quadrante do Tempo ou a Tríade do Tempo, que  aliás são ferramentas que recomendo fortemente pois auxiliam na organização e na priorização das atividades. Mas já experimentou uma nova abordagem, a da gestão da energia, para você e para sua equipe?

Swartz e McCarty postulam que para ter produtividade é preciso que as pessoas aprendam a recarregar as baterias e para recarregar “os indivíduos precisam reconhecer o custo do comportamento que roubam a vitalidade e a partir daí assumir a responsabilidade de mudá-los independentemente das circunstancias!” (Swartz e McCarty, 2018, p. 68).  Fazer a gestão do tempo sem olhar para a gestão da energia individual ou do time pode não afastar o fantasma da procrastinação ou do presente-ismo – termo utilizado quando se está no posto de trabalho, mas sem produzir coisa alguma.

A gestão da energia engloba quatro pilares: o corpo, as emoções, a mente e o espírito. Uma boa ideia seja olhar tanto para as habilidades e competências que você sua equipe ou escritório precisam desenvolver para produzir as mudanças acalentadas quanto para a construção e sustentação dos núcleos de energia. Acredito que é a energia que sustenta a disciplina, e que promove o ritmo da marcha rumo ao resultado desejado.

É isso! Acredito fortemente que quando colocamos a roda para girar e geramos o movimento;  damos um chega prá lá na reclamação;  quando temos a clareza de propósito e cultivamos o olhar apreciativo que promove a aprendizagem a luz de tudo que nos acontece;  quando esvaziamos a análise do peso do julgamento de valor dos nossos resultados, quando acolhemos a realidade e estabelecemos estratégias com o olhar naquilo que de fato é ao invés do que poderia ou deveria ter sido;  e quando fazemos a gestão da nossa energia ao invés apenas da gestão do tempo podemos sim construir um FELIZ ANO NOVO!

Referências

HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Pílulas da neurociência para uma vida melhor.  Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

ROBBINS, Antony. Poder sem limites. O caminho do sucesso pessoal pela programação Neurolinguistica. Rio de Janeiro: Bestseller, 2007

SWARTZ, T : Mc CARTHY, C. Administre sua energia e não seu tempo. Gerenciando a si mesmo. 10 Leituras essenciais Harward Businesss Review. Artigos fundamentais da Harvard Businesss Review sobre como administrar a própria carreira. Rio de janeiro: Sextante, 2018

Erika Lotz
Sobre a autora

Erika Lotz é mentora de Capital Humano na Éos. Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy. É docente em programas de graduação e MBAs nas áreas de Gestão de Pessoas e Coaching.

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