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18 de junho de 2021 9 minutos de leitura

Dois jovens apaixonados pelo seu projeto e que enxergavam o futuro de uma maneira grandiosa. Tinham abandonado a faculdade e partido em busca de investidores que acreditassem na solução que estavam desenvolvendo.

O seu motor de busca na web era o décimo oitavo do mercado, uma distância grande da concorrência quando se trata de produtos de tecnologia, mas isso não os impedia de enxergar o quanto eles poderiam aprimorar o que tinham para alcançar os grandes players do mercado.

Sabe de quem eu estou falando? Sim! Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google, quando fizeram um pitch da sua ferramenta de busca na web para o investidor John Doerr (Kleiner Perkins).

Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google

Eles já possuíam a cultura do aprendizado (recompensavam os “bons fracassos”), tinham boas ideias, ousadia, transparência, enxergavam grandemente o futuro, só precisavam de uma FERRAMENTA que os ajudasse a planejar e concentrar esforços naquilo que realmente importava.

Quando John Doerr apresentou os OKRs aquilo caiu como uma luva.

Foi no Google que os OKRs se popularizaram, conquistaram os corações dos startupeiros e empresas de tecnologia de todo o mundo, e agora chegam na ADVOCACIA transformando a cultura e a gestão de muitos escritórios e departamentos jurídicos.

Nunca foi sorte. Foi persistência e empreendedorismo na veia.

Não posso falar de OKRs sem antes mostrar para você que não basta ser ADVOGADO. É preciso, antes de tudo, ter vontade de empreender e aprender sobre gestão.

Os criadores do Google não eram apenas jovens rapazes apaixonados pelo seu projeto. Eles eram, sobretudo, empreendedores.

Essa espécie peculiar de seres humanos – os empreendedores, possuem características próprias. E se engana quem acha que isso é um talento ou um dom natural.

O empreendedorismo é uma ESCOLHA e não uma característica genética.

E quais as características de um empreendedor e como empreender na advocacia?

Você quer empreender na advocacia? Claro que sim! Senão não estaria lendo esse artigo.

Então confere essas 10 características do empreendedor trazidas pela Escola Conquer, verifique quais são aquelas que você já possui e quais ainda precisa desenvolver.

O empreendedor:

  1. Tem uma visão inovadora
  2. Demonstra iniciativa
  3. É analítico e bem organizado
  4. Investe seus recursos de forma consciente
  5. Assume riscos
  6. É determinado e flexível
  7. Cria conexões com pessoas
  8. Tem a capacidade de inspirar as pessoas
  9. É um líder que ensina pelo exemplo
  10. Nunca para de aprender

Foi-se o tempo em que o advogado abria o seu escritório e os clientes batiam à sua porta espontaneamente.

Nesse período, o advogado não precisava muito das noções de gestão e empreendedorismo para sobreviver e ser bem sucedido.

Bastava cuidar dos seus processos, debruçar-se nos seus prazos, fazer suas audiências, ir ao fórum, pagar suas despesas mensais e receber seus honorários. Tudo muito básico.

Nossa realidade não é mais essa.

Somos mais de um milhão de advogados no Brasil (sim, eu também sou advogada) e vivemos num mundo complexo, dinâmico e globalizado.

Advogar não é só peticionar, meu caro. Para ter sucesso, é necessário fazer uma gestão estratégica na advocacia.

Gerir é preciso! Pensar na gestão do time, do tempo, das metas é fundamental para o negócio sobreviver. E é justamente na gestão estratégica que os OKRs entram na história!

Aprenda agora sobre essa ferramenta que conquistou o coração dos criadores do Google e que também promete conquistar você!

Afinal, o que são OKRs?

OKRs é a sigla para Objectives and Key Results, em português significa Objetivos e Resultados-Chave.

Trata-se de um protocolo colaborativo de definição de metas para empresas, equipes e indivíduos.

Você, advogado(a) que quer empreender na advocacia, precisa saber aonde quer chegar com o seu escritório.

Com isso em mente, é necessário transmitir e engajar a sua equipe para que todos concentrem esforços numa mesma direção e tenham clareza dos objetivos que precisam alcançar.

Qual o diferencial dos OKRs?

Aqui é o grande pulo do gato.

Já falei anteriormente, mas não custa repetir. Você, advogado e gestor de escritório, precisa entender de uma vez por todas que o mundo não é mais o mesmo.

Trabalhar com modelos antigos de construção de objetivos e metas não funciona mais como antigamente.

Imagine você, que os planejamentos estratégicos tradicionais miravam horizontes de 10 anos! No mundo atual, dinâmico e globalizado, essas estratégias de longuíssimo prazo caíram por terra. 

Além disso, compreender o seu modelo de negócio é crucial.

A advocacia é um trabalho estritamente intelectual, uma prestação de serviço que depende diretamente de pessoas boas trabalhando no seu time. Cabeças pensantes e criativas, indivíduos engajados com o propósito do escritório.

Acontece que o modelo mental dos seus colaboradores também não é mais o mesmo.

Insistir em formatos antigos de gestão e planejamento estratégico é perda de tempo e desperdício de energia.

Portanto, a estratégia do seu negócio não pode partir somente de você e do Conselho de Sócios. Ela precisa ser construída com toda a equipe do escritório, por cada indivíduo da organização.

Quando o planejamento é definido conjuntamente, as pessoas entendem que pertencem ao negócio e se sentirão motivadas a contribuir com a execução das metas.

E é isso que os OKRs propõem. Um jeito diferente e contemporâneo de construir objetivos e resultados-chave, pautados na transparência, alinhamento, engajamento e foco nos resultados. 

E o que os diferencia dos Objetivos e Metas tradicionais?

Agora entenda a diferença entre o modelo antigo de planejamento e o planejamento executado através dos OKRs.

Os objetivos e metas tradicionais possuem essas características:

  1. Estabelecem “O QUÊ” deve ser feito;
  2. De cima para baixo (o nível estratégico cria e os demais níveis “cumprem”);
  3. Privado e limitado (cada setor possui seus próprios objetivos e metas e isso fica restrito à equipe correspondente);
  4. Ciclos anuais (ciclos longos);
  5. Vinculado à remuneração (ganha mais quem bate meta);
  6. Avesso ao risco (metas mais fáceis para serem batidas e as pessoas se “motivarem” a ganhar mais).

Os OKRs possuem características bem diferentes:

  1. Estabelecem “O QUÊ” deve ser feito e “COMO”;
  2. De baixo para cima e lateral (o nível estratégico cria o objetivo geral e todos os outros (equipes e indivíduos) criam seus próprios OKRs no sentido de contribuir para o objetivo geral);
  3. Público e transparente (os OKRs de todos os setores e indivíduos são abertos para toda a organização);
  4. Ciclos mensais ou trimestrais (ciclos curtos);
  5. Desvinculado à remuneração (atingir resultados chave é uma forma de contribuir para o crescimento da empresa e não significa ganhar mais por isso de forma direta);
  6. Agressivo e determinado (metas agressivas e atingíveis, que desafiam equipes e individuos).

De todas essas diferenças citadas acima, a que me chama mais atenção é que os OKRs são desvinculados da remuneração.

Veja! Nós passamos anos das nossas vidas acreditando que estabelecer metas e remunerar as pessoas que as atingirem era o que as estimulava.

Será mesmo?

Estudos mostram que quanto mais agressivas e desafiadoras forem as metas, mais empenho é empreendido pelos indivíduos e equipes para atingi-las.

Na gestão por OKRs são as próprias equipes que criam seus KRs e as pessoas também possuem seus KRs individuais.

Ninguém criaria resultados-chave tão agressivos assim se eles fossem vinculados à remuneração, concorda?

A expressão “moonshots” é a visualização perfeita daquilo que se entende como “agressivo” e “desafiador”. Portanto, os KRs precisam mirar na lua e se atingir 70% já é considerado um sucesso. 

Por exemplo, digamos que o objetivo do comercial é aumentar o faturamento do escritório. E, no contexto regular, fechar 2 contratos por mês é um número muito provável. Que tal estipular 5 contratos por mês como resultado-chave a ser atingido?

O sócio responsável pelo comercial do escritório precisaria trabalhar duro junto com sua equipe, com foco e muita estratégia, mirando os 5 contratos. Precisariam desenvolver novos produtos jurídicos, aumentar os contatos, trabalhar o marketing jurídico, produção intelectual, enfim!

Se conseguissem fechar 3,5 contratos já seria considerado um sucesso!

Mas não para por aqui. Deixa-me explicar um pouco mais sobre os OKRs, porque essa “coisa” de objetivos, metas e resultados-chave costumam ser bem confundidos na prática.

Nós, advogados, amamos saber o CONCEITO das palavras. Então lá vai!.

Qual o conceito de OBJETIVOS e RESULTADOS-CHAVE?

O OBJETIVO é o resultado do negócio que precisa ser atingido e deve ser escrito em termos qualitativos. É aquilo que a organização deseja alcançar.

É interessante que ele seja inspirador, grandioso e motive os indivíduos a construir resultados-chave realmente capazes de atingi-lo.

Como você já pôde perceber no exemplo acima, os RESULTADOS-CHAVE são metas agressivas, porém atingíveis, baseadas em indicadores mensuráveis, que ajudam a provar se o objetivo foi alcançado. Portanto, os key results devem ser quantitativos e desafiadores.

É importante escrever os resultados chave numa estrutura S.M.A.R.T:

– Específico

– Mensurável

– Atingível

– Relevante

– Temporal

Entendendo, na prática, como construir seus OKRs na advocacia.

É simples. A construção dos Objetivos e Resultados-Chave deve obedecer a seguinte estrutura:

Vamos ___________________ (OBJETIVO), e saberemos se fomos bem sucedidos se conseguirmos ____________________ (RESULTADO CHAVE), ___________________ (RESULTADO CHAVE) e ___________________ (RESULTADO CHAVE).

Vamos a mais um exemplo. Digamos que o seu objetivo é “Ter implantada a controladoria dos sonhos”. Um objetivo inspirador, não acha?

Podemos pensar nos seguintes resultados-chave:

  1. Contratar um controller jurídico experiente até o mês X.
  2. Cadastrar 100% dos clientes no software de gestão até o final do trimestre.
  3. Realizar um treinamento mensal sobre controladoria e funcionalidades do software com toda a equipe do escritório.

Agora confere comigo:

  1. Vamos “ter implantada a controladoria dos sonhos”, e saberemos se fomos bem sucedidos se conseguirmos “contratar um controller jurídico experiente até o mês X”, “cadastrar 100% dos clientes no software de gestão até o final do trimestre” e “realizar um treinamento mensal sobre controladoria e funcionalidades do software com toda a equipe do escritório”.

Viu, só?

Esse é um exemplo de OKR trimestral. Depois de um ciclo, mais resultados-chave são buscados e a tendência é sempre aprimorar!

Agora se liga na regra de ouro: simplicidade.

Menos é mais.

Para cada objetivo, defina de 3 a 6 resultados-chave. E cada equipe/setor e indivíduo também deve ter no máximo 3 objetivos.

Como já foi dito, os ciclos devem ser curtos. Na advocacia e na minha prática como consultora especializada em planejamento estratégico, entendo que ciclos trimestrais se encaixam perfeitamente.

Quer exemplos de OKRs na advocacia?

Sim, eu sei que você adoraria ter exemplos de OKRs que te ajudem a concretizar ainda melhor a implantação da ferramenta no seu negócio.

Pensando nisso, desenvolvi um e-book bem bacana com exemplos de OKRs na advocacia que você encontra aqui no site da ÉOS – inovação na advocacia.

Baixa lá esse material e se inspire para construir os seus AMANHÃ! Que tal? 

Os escritórios de advocacia devem ser vistos, definitivamente, como uma empresa e, como tal, precisa ter diretrizes estratégicas bem estabelecidas, claras e acessíveis a todos os colaboradores.

Com a estratégia definida, fica muito mais fácil mirar no futuro e definir o que precisa ser atingido para chegar lá.

A advocacia tem muito a se beneficiar com os OKRs! Precisamos transitar por outros ecossistemas e importar as ferramentas bacanas que existem por aí!

Espero que tenham gostado do artigo e que ele te ajude a alcançar o sucesso que tanto almeja.

Torço muito por você! Sucesso!

Sobre a autora

Luiza é mentora de Planejamento Estratégico e Societário na Éos. É Advogada, Pós-graduada em Direito Corporativo pela Universidade Positivo/Paraná, Consultora especializada em Gestão de escritórios de advocacia e departamentos jurídico.

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