31 de agosto de 2020

O que é fluxo de caixa?

Fluxo de Caixa é um termo muito conhecido e falado dentro de todas as empresas, mas pouquíssimas vezes o fluxo é apresentado de uma maneira correta e eficaz.

O fluxo de caixa nada mais é do que uma ferramenta que registra embolsos e desembolsos (entradas e saídas) de valores para viabilizar a correta gestão de recursos, bem como o saldo disponível em caixas e bancos.

Essa ferramenta deverá ser elaborada como uma matriz, onde o eixo vertical trará o plano de contas em seus grupos e subgrupos, enquanto o eixo horizontal trará as datas, organizadas diariamente.

Podemos afirmar que é uma ferramenta imprescindível e importantíssima para qualquer negócio.

Todas as receitas e gastos devem ser registrados no fluxo diariamente para que, além de se tornar funcional, permita também analisar como se comportará o saldo de caixa através de uma projeção futura.

Conheça as etapas para a construção do fluxo de caixa:

O fluxo de caixa deve conter cinco etapas essenciais para que forneça ao gestor as informações que necessita ou seja, a correta gestão dos recursos em caixa do escritório.

1. Saldo Inicial

A primeira informação a ser trazida é o saldo inicial do dia, ou seja, a soma de suas disponibilidades financeiras, geralmente compostas por caixa, saldos bancários e aplicações financeiras.

2.  Demonstração de todas as entradas diárias

A segunda etapa é demonstrar todas as entradas de capital ocorridas no dia. Devem ser listadas aqui todos os recebimentos de recursos que ocorrerem, sendo os mesmos de ordem operacional ou não.

Por exemplo, quando o escritório recebe honorários de seus clientes entendemos que é uma receita operacional, pois é oriunda da atividade fim – produção jurídica. Observe a figura a seguir.

Figura 1 – Saldo inicial – Entradas – Saldo do mês
Figura 1 – Saldo inicial – Entradas – Saldo do mês

É importante observar que, o escritório pode também auferir juros de aplicações financeiras que possua. Essa entrada de capital é uma receita financeira, e não operacional, pois não advém da sua produção jurídica diretamente.

3. Demonstração de Entradas e Saídas

Na terceira etapa demonstramos todas as saídas de capital ocorridas no dia. São listadas nessa etapa todas as saídas, independente da natureza. Impostos, custos, despesas e investimentos pagos no dia devem ser contemplados, diferenciando-os de acordo com o grupo que pertence, como demostra a figura a seguir.

Figura 2 – Entradas e Saídas

O correto controle e registro de todos os gastos do negócio é  fundamental para a correta interpretação e tomada de decisão.

4. Cálculo do Saldo Operacional

Na quarta etapa calculamos o nosso saldo operacional, ou seja,  a diferença entre a soma de entradas e a soma de saídas ocorridas no dia.

SALDO OPERACIONAL = ENTRADAS – SAÍDAS

O saldo operacional é um indicador bastante relevante na análise financeira. Indica se houve uma operação superavitária ou deficitária no período realizado, ou seja, se entrou mais dinheiro que saiu, ou se saiu mais dinheiro que entrou.

É importante ter conhecimento e previsão a respeito do saldo operacional, pois se em algum dia o saldo operacional for negativo, é necessário que o escritório possua disponibilidade de recursos suficientes para arcar com esse momento deficitário, sem ficar no negativo.

5. Saldo Final

A última etapa a ser considerara é o saldo final. Nada mais é do que a soma do saldo final e do saldo operacional.

SALDO FINAL = SALDO INICIAL – SALDO OPERACIONALOuSALDO FINAL = SALDO INICIAL + ENTRADAS – SAÍDAS

Nessa quinta e última fase é possível analisar como está, ou estará o saldo ao final do dia. É nesse momento que se torna importantíssima a gestão de fluxo de caixa. A movimentação de entradas e saídas, somada ao saldo inicial deve ser bem gerida para que o saldo final não fique no negativo.

Ao observar que o saldo final está negativo significa que não há disponibilidades em recursos de curto prazo para suprir todas as necessidades financeiras.

Já se o saldo está positivo, significa que após toda essa movimentação financeira ainda existem recursos de curto prazo no escritório.

Vale ressaltar que assim como as entradas e saídas ocorridas no período, deve ser conciliado sempre o saldo final, para certificar-se que realmente não houve nenhum lançamento faltante no controle. O saldo final de um dia será o saldo inicial do dia seguinte e assim sucessivamente.

Figura 3 – Saldo Final

Fluxo de caixa: Previsto ou Realizado?

O fluxo de caixa pode ser visualizado de duas formas. Previsto ou realizado.

1. Fluxo de Caixa Realizado

O fluxo de caixa realizado nos traz informações para fins de estudo. Através dele analisamos o passado recente da movimentação financeira ocorrida e podemos observar como se comporta o fluxo de capital no negócio quais os períodos que a empresa apresenta grandes volumes de recebimento e pagamento, qual o saldo operacional e também qual foi a necessidade ou disponibilidade de caixa no período.

Como já citamos, o fluxo de caixa deve ser controlado diariamente, porém o seu resultado pode ser analisado de diversas formas.

  • Movimentação ocorrida no período

Por exemplo, pode-se analisar a movimentação ocorrida em um período específico, como ilustra a figura a seguir.

Figura 4 –  Movimentação ocorrida no período

Nesse tipo de análise estamos estudando um período de 10 dias. Podemos concluir que nesse período que embora a quantidade de contas a pagar e de contas a receber seja a mesma, o montante de entradas é maior do que o montante de saídas.

1. 2 Análise de fluxo de caixa diário

A análise do fluxo de caixa diário pode apresentar-se da seguinte forma, como ilustra a figura a seguir.

Figura 5 – Análise Diária

No exemplo acima podemos analisar o fluxo de entradas e saídas ocorridas diariamente.

Até o dia 08/06 o escritório pode arcar com todas as suas obrigações. A partir do dia 08, observa-se que foi consumido todo o saldo, deixando a conta negativa. Se levarmos do ponto de vista prático, a única maneira de arcar com os pagamentos do dia 09 seria obtendo recursos de terceiros (cheque especial do banco, por exemplo) ou fazendo uma injeção de capital.

Por meio desse exemplo, podemos ver claramente a importância de trabalhar com o fluxo de caixa projetado.

2. Fluxo de Caixa Projetado

Como o próprio nome já informa, nessa análise são projetados os lançamentos esperados futuros, com os títulos em suas respectivas datas de vencimento.

Cada conta a pagar que chega e é cadastrada no controle do escritório terá obrigatoriamente uma data de vencimento. Da mesma forma são entendias as contas a receber. Toda essa movimentação projetada nos proporcionará também obter com antecedência o saldo projetado.

Pode-se então analisar com antecedência se e quando haverá necessidade de caixa, para trabalhar na obtenção desse capital com antecedência e também quando haverá sobra de caixa, proporcionando ao gestor que aplique da melhor forma esse recurso, seja investindo esse dinheiro novamente no negócio ou em aplicações financeiras propriamente ditas.

2.1 Análise de Fluxo de Caixa Consolidado mensal

Seguindo na linha das possibilidades de analisar  o fluxo de caixa, temos o relatório consolidado mensal, conforme apresenta a figura a seguir.

Figura 6 – Análise de Fluxo de Caixa Consolidado Mensal

Nesse tipo de relatório conseguimos comparar três meses de movimentação financeira.

Nesse exemplo o escritório vinha com um saldo negativo no início de maio, porém teve a capacidade de gerar caixa, ficando em uma situação mais tranquila nos meses subsequentes.

Gerar caixa é como uma arte dentro das finanças. Esse é o conceito chave para as operações de qualquer negócio. O objetivo dentro da gestão financeira deve ser sempre o de gerar caixa.

É importante, todavia entender que caixa e lucro são conceitos diferentes e analisados de forma diferentes. O escritório pode ter caixa e não ter lucro, da mesma forma que pode ter lucro e não ter caixa.

Embora a apuração do lucro seja importantíssima para o seu negócio, observa-se que o que faz as empresas quebrarem é a falta de caixa e não de lucro.

Por fim, para gerar caixa devemos administrar toda a cadeia de operações da banca, clientes, fornecedores, colaboradores e aspectos fiscais para que sempre seja possível seguir este objetivo. A seguir, um exemplo de gráfico de demonstrativo de fluxo de caixa diário.

Figura 7 – Demonstrativo de Fluxo de Caixa Diário.
Jorge Majeski
Sobre o autor

Jorge é mentor de Finanças na Éos. Administrador, especialista em finanças de escritórios de advocacia. Empreendedor, sócio fundador da ÉOS Inovação na Advocacia. Atua como planejador financeiro pessoal e coach financeiro.

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