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10 de outubro de 2017

Quantas vezes você já deve ter ouvido que precisa ser flexível?

Mas, o que é ser flexível para você?

Significa tolerar tudo e se adaptar a tudo passando por cima de seus anseios para se adequar ao que é colocado pelo meio?

Ou é uma espécie de inteligência que lida com a realidade sem negações, que olha para aquilo que é e a partir daí desenvolve escolhas e estratégias?

E, de fato, para atingir os resultados que deseja na vida pessoal e profissional a flexibilidade é uma competência de peso! Você que já me conhece sabe o quanto aprecio uma metáfora para instigar as reflexões. Então vamos a uma!

Dizem que em 1995 houve o seguinte diálogo entre um navio da marinha americana e as autoridades costeiras do Canadá. Os americanos começaram educadamente:– Favor alterar seu curso 15 graus para o norte, para evitar colisão com nossa embarcação. Os canadenses responderam de pronto: – Recomendo mudar seu curso 15 graus para o sul. O americano ficou mordido: – Aqui é o capitão de um navio da marinha americana! Repito, mude seu curso. Mas o canadense insistiu: – Impossível. Mude seu curso atual. O negócio começou a ficar feio. O capitão americano berrou ao microfone: – Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior da frota americana no Atlântico! Estamos acompanhados de três destroyers, três fragatas e numerosos navios de suporte. Eu exijo que vocês mudem imediatamente seu curso 15 graus para o norte, do contrário tomaremos contramedidas para garantir a segurança do navio. E o canadense respondeu: – Impossível, repito: aqui é um farol… Câmbio!

Fonte: Rangel (2003, p. 139).

Qual a mensagem que essa breve passagem traz para você?

Muitas vezes tudo o que desejamos é que o outro modifique os comportamentos e as escolhas, que o outro se adapte aos nossos desejos, pensamentos e verdades  para que nós possamos chegar aos nossos objetivos! É mais ou menos como fazer uma promessa para que o outro pague.

Flexibilidade

Flexibilidade “é ter muitas escolhas de pensamentos e comportamentos para alcançar um resultado”, explica O’Connor (2003 p. 323).

Em outras palavras, é a habilidade de ler o curso dos ventos e ajustar as velas da nossa embarcação. É manter em perspectiva o objetivo desejado e construir estratégias geradoras de possibilidades para atingir resultados desejados.

Assim, quando o tema é flexibilidade a essência é possibilidades e uma boa dose de ressignificação.

Sim, ressigfinicar significa olhar uma determinada experiência à luz de um ponto de vista diferente, é dar ao fato um significado diferente.

Em termos práticos, significa manter-se atento aos próprios pensamentos e se perguntar:

  • Este ponto de vista favorece meus objetivos?
  • Fortalece meus propósitos?

Se a resposta ou sensação for um sonoro “não” eis ai um convite irrecusável de se perguntar:

  • De que maneira posso olhar para isso de modo a fortalecer meu aprendizado?

Note que a forma como significamos uma experiência promove estados internos positivos ou enfraquecidos de recursos.

Assim, se a forma de olhar para o fato ou evento não te oferecer o melhor ângulo da experiência, mude o ângulo. Mude o ponto de observação e você certamente descobrirá perspectivas interessantíssimas da mesma situação.

Neste  momento que me vem à mente a profundidade da afirmação de Marcel Proust: “a verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens mas em ver com novos olhos”.

Flexível é aquela pessoa que tem em mente o objetivo e trabalha no sentido de identificar caminhos para atingi-los.

Aliás, você já parou para pensar que existem situações que criamos a partir de nossas escolhas? Ou seja, que estão na nossa esfera de decisão?

Você escolheu a carreira a seguir,  a roupa que está usando hoje. Mas existe também uma série de situações que estão completamente fora do alcance de suas escolhas.

De quem é o controle?

Então cadê o poder da escolha, se a maioria avassaladora das coisas estão absolutamente FORA DO NOSSO CONTROLE?

Flexibilidade é reconhecer que não temos o controle, mas que podemos sim escolher a direção!

Podemos escolher a resposta que desejamos dar, ou seja, entre um estímulo (evento) e a resposta (comportamento) existe uma escolha.

E, tendo em vista tal perspectiva, gosto muito de desafiar o modo como olho para as situações com um breve exercício de flexibilidade que quero agora compartilhar contigo:

Você já se deu conta que com raríssimas exceções todo problema pode ser ressignificado?

Pense por alguns instantes na palavra problema.

  • Tem peso ou tem leveza?
  • Tem movimento ou tem paralisia?

Arrisco afirmar que você respondeu peso e paralisia.

Então vamos lá! Pense por alguns instantes na palavra desafio.

  • Tem peso ou tem leveza?
  • Tem movimento ou tem paralisia?

Embora eu não tenha nenhuma clarividência, arrisco afirmar que você responde que tem leveza e movimento.

Muito bem! Agora, que tal identificar um problema que o tem afligido e transformá-lo em desafio? Como?

Te dou um exemplo: Imagine que o seu problema é medo de falar em público.

Pense no seu problema por alguns instantes. Agora que tal transformar esse problema de medo de falar em público em desafio de desenvolver a sua competência da oratória.

Como fica pra você?

Perceba que o problema traz sensações de peso e o desafio traz leveza, é algo que está à sua frente e gera momentos.

Muito bem, agora a estratégia de flexibilidade: abra a sua mão e para cada dedo encontre uma estratégia possível para te aproximar ao resultado.

  • Identificar o diálogo interno disparador da sensação de insegurança e ansiedade;
  • Fazer um curso de oratória;
  • Elaborar o discurso com inicio meio e fim e  ensaiar o texto diante do espelho, de uma planta ou do seu bichinho de estimação;
  • Gravar a própria apresentação e avaliar os pontos de melhoria (gesto, postura, ritmo de voz);
  • Ler livros de oratória, assistir a vídeos  de palestrantes renomados levantar informação sobre a plateia e aprofundar seus conhecimentos sobre o tema que irá tratar.

Enfim, perceba que você já tem estratégias que servirão de norte para conduzi-lo rumo ao seu objetivo que é falar em público.

Note que algumas estratégias que foram levantadas podem não ser operacionalizadas e que outras podem ser conjugadas.

O importante é o exercício de treinar o cérebro em busca de possibilidades. Ao repetir esse exercício, muito em breve, transformará problemas em desafios e a busca por possibilidades será incorporada a sua memória procedimental.

Outro bom exercício de flexibilidade: quando se encontrar diante de uma situação pergunte-se:

  • O que posso fazer a respeito?;
  • E o que mais?;
  • E o que mais?;
  • E o que mais?.

Sempre que perguntamos “e o que mais?” estamos estimulando o cérebro a olhar para possibilidades que até então não seriam identificadas.

É um convite para “cavar mais fundo”. E, à medida que vamos “cavando mais fundo” vamos estimulando a criatividade e encontrando possibilidades que talvez jamais nos déssemos conta se não tivéssemos prosseguido com a investigação. Eis aí a chave da flexibilidade.

Referências:

O’COONOR, j. Manual de programação neurolinguística. Um guia prático para alcançar os resultados que você quer. Rio de janeiro: Qualitymark, 2003.

LOTZ, E. G. Gestão do projeto de vida. Maringá: Cesumar, 2017. (E- book).

Erika Lotz
Sobre a autora

Erika Lotz é mentora de Capital Humano na Éos. Trainer em Psicologia Positiva pela European Positive Psychology Academy. É docente em programas de graduação e MBAs nas áreas de Gestão de Pessoas e Coaching.

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